Por Reginaldo Ferreira de Almeida

O professor lembra três grandes momentos vividos por ele no Hotel de Poço Branco: as festas nos fins de semana (chamadas de “assustados”); as festas de outubro e sua colação de grau, em 1989. Reginaldo diz que a festa de outubro era o grande marco do Hotel, iniciando com o Louvor ao Coração de Jesus, passando pela tradicional barraca e o leilão da igreja e culminando com o grande Baile do Hotel – um evento esperado o ano inteiro por toda comunidade jovem da época.
Reginaldo afirma que a decadência do Hotel se deu após a conclusão da Barragem de Poço Branco, pois a principal clientela do Hotel (funcionários da Construtora Nóbrega & Machado) voltou para suas cidades de origem. “A cidade não tinha uma população com poder de consumo suficiente para manter o Hotel funcionando. O poder aquisitivo era muito pequeno por aqui e aí o Hotel perdeu sua sustentação”, revela o professor Reginaldo.
O professor nos revela ainda que “o Hotel foi se tornando inviável financeiramente para os padrões da época e alguns jovens do município tiveram a idéia de criar um espaço próprio e menos oneroso”. Surgiu aí o Clube de Jovens (hoje sede da Câmara de Vereadores), um espaço que reunia a juventude do lugar e que também foi palco de grandes momentos da sociedade poço-branquense. Como a população de Poço Branco foi crescendo surgiram outras opções de lazer, como os clubes Alecrim e Sanelândia.
O HOTEL DE POÇO BRANCO
Por Elione da Silva
Elione relembra as festas do padroeiro, as matinês do carnaval e a escolha da rainha de Poço Branco como suas melhores lembranças do Hotel. “A festa de outubro era o maior evento realizado no Hotel, mas a escolha da rainha era um evento à parte porque movimentava a juventude da cidade e atraia público de várias cidades para a festa. Vinha gente de toda região pra cá”.
Para nossa entrevistada, a decadência do Hotel foi fruto primeiramente do abandono do DNOCS - órgão que construiu o prédio. Depois, após passar para o controle do município, o Hotel entrou em decadência porque pouco foi feito para que ele continuasse funcionando. As opções de lazer na cidade eram poucas e, como o Hotel não continuaria funcionando, o Clube de Jovens também foi uma importante alternativa de diversão para a juventude da época.
O HOTEL DE POÇO BRANCO
Por José Rodrigues da Silva

A sua principal lembrança foi o período em que administrou e residiu no Hotel. Por três anos, Zé Caxiado comandou o mais importante espaço social do município e acredita que o Hotel jamais deveria ter sido desativado. “Lembro-me das festas do padroeiro e do Carnaval em que o salão do Hotel ficava superlotado e dos tempos em que ele foi a sede do Projeto Rondom, Incra, Levantamento dos Quilombolas e do Grupo Teatral Águia. Um lugar assim não poderia ter sido fechado”.
Para Zé Caxiado a desativação total do Hotel começou quando o então prefeito da cidade, João Ferreira da Cruz, resolveu doar o prédio para o Estado (em 1988). “Existia outra idéia que era aumentar a área do Hotel e transformar todo o quarteirão em uma grande área de lazer, com piscinas e parques para crianças brincarem. Ao invés de continuar essa idéia, o prefeito, alegando falta de condições, preferiu doar os terrenos e o Hotel. Hoje, vemos que ele não deveria ter feito assim”.
O cidadão Zé Caxiado diz que, nos anos 60 e 70, as opções de lazer em Poço Branco quase não existiam e o Hotel uma das poucas. “As festas da cidade eram de ano em ano. O Carnaval e a Festa do Padroeiro eram as principais, mas havia também as festas nos distritos de Contador e Pouza. Com o passar do tempo apareceram outros clubes, mas nenhum jamais teve a magia do Hotel”, destaca Zé Caxiado que finaliza sua entrevista dizendo que o Hotel (hoje abrigando o Fórum Judiciário) poderia ser transformado num Museu sobre a história do município.
NOTA: O Blog agradece aos entrevistados pela colaboração para a história de Poço Branco e, em breve, postará outras entrevistas sobre o Hotel de Poço Branco. Aguardem.
3 comentários:
Poxa! Daniel só obrigado a concordar com o sábio Zé Cacheado!
Belíssima iniciativa, memórias como a de seu Zé Cacheado de veriam ser preservadas, pois tem muito a dizer das nossas origens.
Robson Vicente.
VALEU MERMO DANIEL PELA HISTORIA DA NOSSA TERRRA.
Como disse a primeira dama foi um momento mágico e bonito, é uma pena que os jovens de hoje não sabem se divertir de maneira íntegra.
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