29 de mar de 2013

SEMANA SANTA II

O PEIXE DA SEMANA SANTA


A Prefeitura de Poço Branco realizou, nesta quinta-feira (28), a já tradicional distribuição de peixe para famílias carentes do município. A entrega aconteceu de “porta em porta”, como tem sido feito nos últimos cinco anos, distrito por distrito e também na sede do município. A ação social de entrega do peixe é custeada com recursos próprios da Prefeitura Municipal de Poço Branco.


A equipe de colaboradores da prefeitura distribuiu seis toneladas de pescado, totalmente embalado a vácuo, durante a manhã da quinta-feira. Segundo Eliana Rodrigues, uma das colaboradoras: “É muito gratificante o sorriso que vemos nos rostos das pessoas mais carentes quando são chamadas, em suas casas, a receber o peixe da semana santa. Elas dizem que não poderiam comprar o peixe para a família toda devido o preço alto encontrado nas feiras, nas mercearias e nos supermercados da cidade. Essa distribuição é uma grande ação social da nossa prefeitura”.


Para o cidadão e pescador, Ezequiel Ferreira, com 40 anos de experiência na área, a distribuição do peixe da Semana Santa é algo muito positivo, especialmente por ser feita de casa em casa. Ele só lamenta que o pescado local não possa ser comprado pela prefeitura por causa da burocracia da lei. “Se a colônia dos pescadores daqui fosse estruturada com câmara fria e possuísse toda documentação exigida, uma parte desse pescado poderia ser daqui do nosso Rio Ceará Mirim, beneficiando e prestigiando os nossos pescadores”, concluiu.

SOBRE A PAIXÃO DE CRISTO

O Blog convidou três atores principais da Peça Teatral “A paixão de Cristo” a dar suas opiniões sobre os mais de seis anos sem a apresentação. A eles foi pedido uma rápida impressão do período em que encenaram a vida, a morte e a ressureição de Jesus Cristo para uma plateia formada por poço-branquenses e também por muitos visitantes de cidades vizinhas e de outras regiões do Estado. A impressão do professor José Cassimiro Felipe, o primeiro protagonista da peça, será postada oportunamente.

LUIZ ANTONIO SOARES

Caro amigo Daniel,

Como não sentir saudades daquele tempo? Era um tempo dos grandes encontros com os amigos atores da peça “A Paixão e Morte de Jesus Cristo”. Era um tempo maravilhoso, pois quando nos reuníamos para os ensaios sempre havia momentos de descontração, de concentração e até momentos de acirradas discussões a respeito dos textos a serem repassados para cada um.

Passei por praticamente todas as funções dentro do Grupo Águia. Fui figurante, fiz papel de fariseu, do ladrão Dimas, fui diretor e até Presidente do Grupo Teatral Águia, como era chamado nosso grupo. Fui, por três anos, o ator principal da peça e esse foi um período de muita importância em minha vida, pois, de certa forma, fui “obrigado” a mudar minhas características, deixando cabelos e barba crescerem. Até uma dieta rigorosa tive que fazer para não engordar.

Agradeço muito ao saudoso e eterno Presidente do Águia, Antônio Guedes de Miranda, meu amigo, irmão e segundo pai. Antônio me ajudou em toda trajetória no teatro de Poço Branco, mas, infelizmente, um dia a direção do grupo passou para mãos de pessoas que não tinham a vocação de levar em frente esse projeto cultural maravilhoso.

Hoje, poucas são as atrações culturais que fazem as pessoas se deslocarem de suas casas. Naquele tempo, a população em peso vinha assistir a representação do nascimento, vida, morte e ressurreição de nosso senhor Jesus Cristo. Tenho lembranças de muitas coisas que aconteciam nos bastidores da peça, algumas boas e outras ruins... Não desejo divulgar todas elas agora porque ainda pretendo escrever um pequeno livreto denominado “Os bastidores do Águia”.

Mas uma das coisas que mais me irritava, e nunca concordei, era a mania de alguns atores em “meter a cara na bebida” nos dias das apresentações. Em minha opinião, isso não era apenas falta de respeito com a peça e com os demais atores e figurantes, mas, principalmente, com o tema encenado. Não tinha sentido uma pessoa representar um tema tão importante estando embriagado. Esse foi um dos motivos de meu afastamento do grupo.

Quando fui eleito Presidente do Grupo Teatral Águia, alguns meses depois fizeram uma eleição às escondidas, sem me convidarem, e elegeram outra pessoa para o meu lugar. Isso me deixou muito indignado e, na época, o meu amigo Antônio Miranda me sugeriu procurar a Justiça, pois, de acordo com o regimento do grupo, só poderia haver eleições dois anos depois.

Eu disse a Antônio Miranda que não iria procurar a Justiça, pois eu tinha certeza que aquele grupo que assumiu não levaria a peça muito longe e, em pouco tempo, eles destruiriam o Grupo Teatral Águia, pois eles não faziam teatro: tinham outras intenções de fachada. Pois é... Hoje, lamentamos imensamente que a Semana Santa de Poço Branco não conte mais com a peça. Hoje, não temos mais cultura em nosso município. O que temos é um grupo teatral falido e sem perspectivas de se reerguer: como eu já tinha previsto...

JUNIOR AGULHA

Amigo Daniel,

Para falar do GTA (Grupo Teatral Águia) sempre terei algum tempo disponível em minha vida. Entrei no teatro no ano de 1999. Não porque tinha vontade ou dom de atuar, mas para salvar o grupo que iria se acabar naquele ano pelo simples fato de não haver uma pessoa que pudesse encenar o papel principal: Jesus Cristo.

Nunca tive essa pretensão até o dia em que recebi um convite do saudoso Antônio Miranda. Num primeiro momento não aceitei, fiquei assustado com essa ideia, mas criei forças e as palavras de convencimento de Antônio me ajudaram a aceitar o desafio de representar o maior de todos os homens: Jesus.

Meu primeiro ensaio foi realizado no quintal na casa de Antônio Miranda, pois tínhamos apenas 15 dias para o dia da primeira apresentação. Foi tudo meio corrido pra mim, mas eu parecia estar sendo ajudado divinamente para aquela missão e, apesar das muitas dificuldades, a peça foi um grande sucesso e recebi muitos parabéns pela minha primeira atuação no papel de Jesus.

Logo após aquela apresentação, Antônio Miranda se despediu do grupo e entregou-o em nossas mãos pedindo para que não o deixássemos desaparecer. Foi um pedido emocionado e que nos fortificou por outros anos, até a nossa última apresentação em 2007. Como poucos sabem, fazer teatro não é uma tarefa fácil. É preciso muita dedicação, entrega e, principalmente, é preciso buscar parcerias e patrocínios e isso sempre foi difícil demais por aqui.

Lembro bem dos bastidores. Por essa época, estávamos concentrados com mais de 100 participantes, todos preocupados em fazer bonito porque o público sempre foi garantido. Centenas de pessoas de vários cantos do Estado vinham nos prestigiar com suas presenças e isso levantou muito o nome de Poço Branco naquela época. Infelizmente todos perderam sem uma das maiores riquezas da nossa cultura, uma riqueza que foi conquistada a custa de muita luta de pessoas como a Irmã Ondina, Antônio Miranda, Bernardo e tantos outros.

O que posso dizer agora é que ainda acredito na volta da peça. Um dia ainda vamos rever essa encenação tão esperada por todos. Mas, para isso, serão necessárias algumas reformulações na concepção teatral. Não falo apenas em ter um novo e maior espaço físico, mas também na questão humana. Não é impossível porque já temos uma grande base que é a matéria prima do teatro: o talento do nosso povo, dos jovens em especial.

Está à frente do papel principal não dar mais pra mim, mas quero está junto dos que se disponibilizarem a entrar nessa dura e árdua batalha que é reerguer o nosso Grupo Teatral Águia. Assim espero ainda ver.

28 de mar de 2013

SEMANA SANTA

A SEMANA SANTA E A PAIXÃO DE CRISTO

Junior Agulha foi o último Jesus Cristo da peça
A Semana Santa em Poço Branco chegou e com ela um assunto é praticamente unanimidade: a ausência da encenação da Paixão de Cristo, um espetáculo que levou emoção e mensagens de Jesus Cristo a muitos poço-branquenses e visitantes. A encenação infelizmente ficou para trás, já faz parte do passado e parece distante de voltar a ser realizada.

Mas a fé do povo de Poço Branco parece inabalável: a tradição de comer peixe, fazer jejum e participar ativamente da semana da Páscoa ainda acompanha alguns conterrâneos. Certamente muito menos que no passado, mas permanece viva uma participação significativa.

Sem a barragem sangrando as opções de lazer diminuem
A Semana Santa também é uma oportunidade de muitos conterrâneos visitarem seus familiares e de reverem amigos. Parte desse argumento se deve, é claro, ao feriadão prolongado que se aproxima, mesmo que as opções de lazer no município estejam muito restritas a iniciativas de grupo de pessoas e aos clubes locais.

Outra tradição de Poço Branco são as festas profanas que reúnem muitos jovens nos clubes da cidade. E não poderia faltar “o roubo a galinhas” e “a perseguição ao Judas”, tradições que fogem às recomendações religiosas e de etiqueta social que ainda não foram totalmente extintas.

Praticamente todas as tradições da Semana Santa estão sendo mantidas. Contudo, a peça teatral “A Paixão de Cristo” é, sem dúvida, a ausência mais sentida na cultura popular do povo de Poço Branco. Infelizmente. 

SAUDADES DA PAIXÃO DE CRISTO
 
Por Thomas Jefferson - publicado em março de 2009.

Em ruínas, o local da peça perdeu utilidade para a população
Já se passaram vários anos desde a morte definitiva de uma de nossas culturas, quem sabe uma das mais privilegiadas da região do Mato Grande. É chegada a Semana Santa e fico imensamente triste em não ter mais a nossa peça “A Paixão de Cristo”, que mostrava a história de um grande homem e também trazia pessoas de várias partes da região e do Estado.

Hoje, quem passa pelo local onde era realizada a peça se emociona e lembra que ali já passaram grandes pessoas, como Bernardo, Antônio Miranda, Ciquilho, Hélio Cambêta, Geraldo Gonçalo, Pelé e tantos outros de quem não lembro os nomes. O que antes era um grande centro de cultura, hoje não passa de ruínas e de saudades.

Já houve um tempo em que as pessoas davam valor a nossa cultura, um tempo em que as pessoas saiam de suas casas para ensaiar e ajudar nos preparativos. Mães de famílias, pais, irmãos, primos... O Grupo Teatral Águia era uma família, uma grande família. Faziam isso com o único propósito de passar uma mensagem de Paz para os que iam assistir ao espetáculo.

Uma das pessoas que faziam a magia do grupo acontecer era o senhor Antônio Miranda, um homem que tinha amor pela coisa. Eu era apenas uma criança, mas lembro da sua determinação para que o espetáculo acontecesse de forma satisfatória para todos. Lembro-me das pessoas que ficavam atrás das cortinas e da preocupação dos contra regras e narradores para que tudo funcionasse certinho. Eram pessoas que não ganhavam nada, mas se contentavam com os aplausos da platéia.

Não sei o que aconteceu para tudo acabar. Parece que o grupo caiu em amargura com a saída, a cada ano, de mais e mais atores. O grupo chega ao ápice do fim, deixa de fazer a peça no seu local de origem pra improvisar uma encenação no ginásio - pelo que me lembro, foi o último.

Hoje, quem participou da peça, como eu participei, vive apenas de lembranças, de momentos bons. Antes e após cada peça realizada, rezávamos para agradecer o sucesso. Todos tinham seus momentos ruins, mas no final tudo dava certo como o que foi ensaiado. As pessoas saíam de suas casas, o Padre vinha prestigiar o evento e outras autoridades também. As pessoas não vinham ver atores profissionais. Eles vinham ver donas de casas, estudantes, pais de famílias.

Hoje, um pedaço da nossa cultura está morta talvez por causa de pessoas irresponsáveis, por causa de pessoas que só pensavam em si mesmas. E o pior é que não sabemos se a peça irá voltar um dia... É triste admitir, mas um povo sem cultura é como uma caverna vazia e escura: nunca há nada de interessante para se ver dentro dela.

ANIVERSÁRIO EM DOSE DUPLA

ANIVERSÁRIO DE IVONETE E ANTÔNIO

Com o tema principal “Anos 60, a década de ouro”, amigos e familiares do casal Ivonete e Antônio Rodrigues (proprietérios da Granja São Sebastião) comemoraram o aniversário de ambos. Ele completou 59 anos e a anfitriã, 60.

Confira algumas fotos registradas pelas lentes do Blog de Poço Branco.


Piscina
Dona Jardelina ao lado do casal anfitrião
Luciano e Trio animaram a festa com o autêntico forró
O blogueiro também arrastou o pé com a aniversariante
Homenagem da afilhada, Érika Oliveira
Homenagem da sobrinha, Elildma Silva
Homenagem da Tia, Sebastiana Rocha
Apresentação/homenagem das sobrinhas (as miguelzinhas)
Homenagem da irmã, Elione Silva
Sebastiana Rocha ao lado do casal anfitrião
Fotos: Junior Caju.