A SEMANA SANTA E A PAIXÃO DE CRISTO
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Junior Agulha foi o último Jesus Cristo da peça |
A Semana
Santa em Poço Branco chegou e com ela um assunto é praticamente unanimidade: a
ausência da encenação da Paixão de Cristo, um espetáculo que levou emoção e mensagens
de Jesus Cristo a muitos poço-branquenses e visitantes. A encenação infelizmente
ficou para trás, já faz parte do passado e parece distante de voltar a ser realizada.
Mas a fé do povo
de Poço Branco parece inabalável: a tradição de comer peixe, fazer jejum e
participar ativamente da semana da Páscoa ainda acompanha alguns conterrâneos. Certamente
muito menos que no passado, mas permanece viva uma participação significativa.
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Sem a barragem sangrando as opções de lazer diminuem |
A Semana
Santa também é uma oportunidade de muitos conterrâneos visitarem seus
familiares e de reverem amigos. Parte desse argumento se deve, é claro, ao feriadão
prolongado que se aproxima, mesmo que as opções de lazer no município estejam muito restritas a iniciativas de grupo de pessoas e aos clubes locais.
Outra
tradição de Poço Branco são as festas profanas que reúnem muitos jovens nos
clubes da cidade. E não poderia faltar “o roubo a galinhas” e “a perseguição ao
Judas”, tradições que fogem às recomendações religiosas e de etiqueta social
que ainda não foram totalmente extintas.
Praticamente
todas as tradições da Semana Santa estão sendo mantidas. Contudo, a peça
teatral “A Paixão de Cristo” é, sem dúvida, a ausência mais sentida na cultura
popular do povo de Poço Branco. Infelizmente.
SAUDADES DA PAIXÃO DE CRISTO
Por Thomas Jefferson - publicado em março de 2009.
Em ruínas, o local da peça perdeu utilidade para a população |
Já
se passaram vários anos desde a morte definitiva de uma de nossas culturas,
quem sabe uma das mais privilegiadas da região do Mato Grande. É chegada a
Semana Santa e fico imensamente triste em não ter mais a nossa peça “A Paixão
de Cristo”, que mostrava a história de um grande homem e também trazia pessoas
de várias partes da região e do Estado.
Hoje,
quem passa pelo local onde era realizada a peça se emociona e lembra que ali já
passaram grandes pessoas, como Bernardo, Antônio Miranda, Ciquilho, Hélio
Cambêta, Geraldo Gonçalo, Pelé e tantos outros de quem não lembro os nomes. O
que antes era um grande centro de cultura, hoje não passa de ruínas e de
saudades.
Já
houve um tempo em que as pessoas davam valor a nossa cultura, um tempo em que
as pessoas saiam de suas casas para ensaiar e ajudar nos preparativos. Mães de
famílias, pais, irmãos, primos... O Grupo Teatral Águia era uma família, uma
grande família. Faziam isso com o único propósito de passar uma
mensagem de Paz para os que iam assistir ao espetáculo.
Uma
das pessoas que faziam a magia do grupo acontecer era o senhor Antônio Miranda,
um homem que tinha amor pela coisa. Eu era apenas uma criança, mas lembro da
sua determinação para que o espetáculo acontecesse de forma satisfatória para
todos. Lembro-me das pessoas que ficavam atrás das cortinas e da preocupação
dos contra regras e narradores para que tudo funcionasse certinho. Eram pessoas
que não ganhavam nada, mas se contentavam com os aplausos da platéia.
Não
sei o que aconteceu para tudo acabar. Parece que o grupo caiu em amargura com a
saída, a cada ano, de mais e mais atores. O grupo chega ao ápice do fim, deixa
de fazer a peça no seu local de origem pra improvisar uma encenação no ginásio
- pelo que me lembro, foi o último.
Hoje,
quem participou da peça, como eu participei, vive apenas de lembranças, de
momentos bons. Antes e após cada peça realizada, rezávamos para agradecer o
sucesso. Todos tinham seus momentos ruins, mas no final tudo dava certo como o
que foi ensaiado. As pessoas saíam de suas casas, o Padre vinha prestigiar o
evento e outras autoridades também. As pessoas não vinham ver atores
profissionais. Eles vinham ver donas de casas, estudantes, pais de famílias.
Hoje,
um pedaço da nossa cultura está morta talvez por causa de pessoas
irresponsáveis, por causa de pessoas que só pensavam em si mesmas. E o pior é
que não sabemos se a peça irá voltar um dia... É triste admitir, mas um povo
sem cultura é como uma caverna vazia e escura: nunca há nada de interessante
para se ver dentro dela.
Um comentário:
ta bom que o grupo de teatral aguia volte. para a alegria de poço branco.
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