13 de nov de 2010

NÃO FAZ DIFERENÇA...

OU FAZ?

Mais uma vez o ex-prefeito de Poço Branco, João Maria de Góis (JMG), foi citado pelo Tribunal de Contas do RN. Desta vez, o ex-prefeito foi condenado a devolver mais de R$ 1 milhão aos cofres municipais, ou seja, a atual administração municipal de Poço Branco. Esta é a quinta vez que o ex-prefeito figura nas páginas eletrônicas do site do TCE-RN, mas JMG parece continuar inabalável - do ponto de vista político eleitoral local. Após tantas citações, a população de Poço Branco (ou a maior parte dela) não ver o caso de JMG como algo surpreendente ou que possa mudar a cena cotidiana do município. Não faz mais o barulho de outrora...

A maioria da população poçobranquense não ver, nesses escândalos, algo que possa gerar alguma mudança de atitude, seja lá de quem for. Talvez porque perceba que outros políticos locais já receberam o mesmo tipo de impedimento e nem por isso saíram de cena, foram presos ou devolveram os recursos surrupiados. Em geral, os fatos ocorridos com o ex-prefeito têm conseguido transformá-lo rapidamente "de culpado, em vitima". Este sistema judiciário que "não prende, mas também não solta" nos deixa a terrível sensação de que algo está sendo conduzido de forma equivocada: "aos maus, a cadeia; aos bons, a liberdade" se torna apenas mais uma frase de pé de balcão. Criou-se e deu-se aos TCE's uma espécie de tribunais de mãos atadas.

O responsável direto por tanto descrédito com a classe política local e, sobretudo, com a falta de novas opções é algo invisível. O certo é que a política local é um reflexo da realidade política brasileira (de norte a sul). Cada vez mais, os candidatos precisam "desembolsar" fortunas para conseguir se eleger. A monetarização e o mercenarismo das eleições desfaz o comprometimento do eleito com suas bases, com os ideais de desenvolvimento e até com o desapego de vícios políticos seculares. Atualmente, é muito pequena a chance de que "autoridades eleitas" priorizarem ações e metas que beneficiem coletivamene a população - como deveria ser. Tudo se resume a arrumar um jeito de pagar as contas da campanha e de retornar "as ajudas" recebidas.

É aparente que parte da população se sinta inerte a tanto cinismo, mentira, falsas promessas e tanta corrupção - antes e depois de cada chance de mudança. Igualmente, a maior parte do povo não acredita em honestidade na política e acaba escolhendo seus candidatos pelos mais variados motivos, exceto pensando coletivamente - como era de se esperar. Antes das eleições, muitos se mostram indignados, mas, após os resultados das urnas, contribuem decisivamente para que velhas, ultrapassadas e desgastadas "raposas" se mantenham no poder. A consciência, o desapego a paixões partidárias ilusórias e, principalmente, a independência do eleitor já evoluiu bastante a cada eleição. Ainda assim, não parece ser legítima essa tal "escolha democrática" que privilegia os candidatos e grupos poderosos que, literalmente, compram mandatos. Isso ainda não foi percebido devidamente pelo eleitor.

Voltando a JMG: ele não tem nada a ver com isso; não é o pai dessa herança; é apenas mais um beneficiário dela - assim como tantos outros. Mesmo assim, o seu sistema político continua um forte concorrente para as próximas eleições. Em parte, por não ter um grupo concorrente 100% unido; em parte, por se manter como oposição atuante. No entanto, ao passo que desfruta de grande popularidade, o grupo esbarra numa acentuada taxa de rejeição, sendo este um dos fatores responsáveis pelos seus insucessos de 2004 e 2008. Por ora, ao grupo de JMG não resta outra estratégia senão a de trabalhar por um "racha" na base aliada do atual prefeito da cidade.

Apesar de política não ser uma ciência lógica, o ex-prefeito continua a acreditar na possibilidade de voltar a comandar a Prefeitura de Poço Branco. Ele pode seguir neste ideal porque os últimos episódios não fazem muita diferença para quem o ver como uma chance de mudanças positivas para o município (ou por outro motivo). Ironicamente, o que parece inacreditável é que essa enxurrada de condenações e denúncias, contra o ex-prefeito, não possa fazer diferença alguma. É irônico e inacreditável, mas é real.

NOTA DO BLOG: O assunto é muito amplo, mas é estranho. Os TCE's, apesar de condenarem, não obrigam a devolução dos recursos e nem prendem os citados. De tão raras, as punições efetuadas pelos TCE's deveriam ser regra; mas são, na verdade, uma triste exceção. A legislação dessa área, tão carente de modificações, quando pune, o faz apenas com o caráter restritivo eleitoral... A saída? Indica-se um(a) filho(a) ou cônjuge para a disputa... No frigir dos ovos, essa condenação do TCE-RN não faz diferença. Politicamente, não.

Um comentário:

Alex Dantas disse...

A estoria mostra que Joao maria de Goes e os outros politicos de poço Branco nao tem lá grandes diferencas, no final vemos qual a intensao de quaze todos que é inriquecer com dinheiro da prefeitura e a diferenca é pequena dimais, pareci que o povo nao tem pra aonde correr.