Por Jorge Luiz Carvalho de Souza
Aos 55 anos, o cidadão Jorge Luiz diz ter vivido grandes momentos de sua vida bem próximo do Hotel de Poço Branco e do quanto ele representou para o município de Poço Branco. E acrescenta: “O Hotel era o maior e, talvez, o único de toda região do Mato Grande naquela época e não significava apenas um local de hospedagem. Além de clube, era o ponto de encontro de toda juventude poço-branquense. Todo mundo combinava pra conversar nas calçadas do Hotel...”.Para Jorge Luiz: “O Hotel foi fundado em 1963, pelo funcionário da construtora da barragem, o Sr. Wilson Monteiro, que lhe deu o nome de Sanelândia Hotel. Nos seus mais de 20 anos de existência, o Hotel deixou muita saudade, pois era o lugar dos grandes carnavais, das matinês, das festas do padroeiro, da escolha da rainha, dos festivais de chopp, dos bingos e das domingueiras”. Numa dessas festas inesquecíveis, Jorge Luiz relembra a disputa entre Dorinha Miranda e Gorete de João Damasceno pela coroa de Rainha do Hotel de Poço Branco, quando Dorinha levou o título.
Jorge Luiz afirma que a decadência do Hotel aconteceu por causa da saída do pessoal da Nóbrega & Machado e do DNOCS. O centro financeiro da cidade girava em torno dos salários da construção da barragem e, quando a obra foi concluída, a então população de Poço Branco não teve condição de manter o mesmo ritmo de consumo de outrora. Jorge Luiz também lamenta que os governantes da época não tenham tomado as providências necessárias para que o Hotel tivesse sido mantido funcionando por mais tempo.
Jorge Luiz nos revela ainda que, nos anos 60, 70 e início dos anos 80, tudo era difícil quando se falava de opções de lazer. Além do Hotel, a juventude de Poço Branco não tinha muitas outras opções. As festas no Clube de Jovens (atual Câmara dos Vereadores) e os filmes exibidos no Cinema de Manoel Cruz eram as alternativas de entretenimento existentes para os poço-branquenses.
O HOTEL DE POÇO BRANCO
Por Dinalva Maria Souza de Menezes (Dorinha Menezes)
Ao iniciar sua entrevista ao Blog, Dorinha Menezes (54) classificou o Hotel como uma obra imponente – para a época, e disse mais: “O Hotel teve, juntamente com a barragem, uma importância muito grande para o desenvolvimento do município de Poço Branco. Muitas pessoas vieram conhecer a barragem em construção e ficavam hospedadas no Hotel; outras passavam fins de semana, luas de mel; apreciavam as comidas típicas locais, os luaus e o conforto dos seus apartamentos. O Hotel era o ponto de encontro mais badalado pela juventude poço-branquense, pelos que vieram trabalhar na construção da barragem e foi fundamental para a consolidação do turismo no novo município”.Entre muitas lembranças consideradas “inesquecíveis”, Dorinha destaca as tardes de domingo: ocasião em que muitos jovens batiam papo, dançavam e tocavam violão na área livre do Hotel. “Como esquecer um tempo tão mágico?”, pergunta. “Não dar pra esquecer os irmãos Antônio, Zeca e Isolda Miranda; os meus amigos Dorinha Miranda, Daíres, Fátima Freitas, Neci Baía, Bernardo, Ceição de Valderez, Aparecida de Saturnino; os meus irmãos Dinarte, Divaldo e Dorotéia; dentre outros. Foi uma época maravilhosa e que o Hotel foi testemunha de tudo”.
Para Dorinha Menezes o Carnaval era a melhor festa realizada no Hotel. “Era o maior Carnaval do Mato Grande, pois recebia jovens de várias cidades da região e também do Estado. O seu ponto forte eram os desfiles de fantasias, que encantavam toda a população presente ao evento. As ruas próximas ao Hotel ficavam cheias de gente e de alegria, sem ter sequer um ato de violência”.
Para Dorinha, a decadência do Hotel se deu por vários motivos - mas alguns foram determinantes. Ela argumenta que: “Depois da inauguração da barragem, o Hotel precisou mudar o seu foco principal, que era a hospedagem. Era preciso investir em eventos e em outros atrativos turísticos, mas faltou visão de futuro às administrações municipais da época para transformar o Hotel numa grande área de lazer ou até mesmo em um centro administrativo municipal. Hoje, vemos a consequência disso, pois ainda somos uma das poucas cidades do país que não possui uma sede própria de sua prefeitura”.
Emocionada, Dorinha Menezes afirmou ao Blog que o Clube de Jovens foi outro importante local de lazer para a população de Poço Branco (no passado) e que tem uma história tão bonita quanto a do Hotel. “O Clube foi construído com o esforço da comunidade jovem e com o apoio da Igreja Católica. Nunca mais veremos uma realização desse tipo em nossa cidade... No Clube havia uma porta onde Sebastiana Gonçalo vendia salgados e que, após qualquer alvoroço, os salgados voavam longe... Mas ela (Sebastiana) sempre deixava uns pra mim, pra meus amigos e meus irmãos...”.
A entrevistada do Blog disse sentir falta de espaços (como era o Hotel), onde as famílias locais pudessem se reunir e disfrutar de coisas simples, puras e proveitosas para seus filhos e netos. Ela nos revela que os costumes dos jovens mudaram bastante dos anos 60 para os dias atuais e que estas mudanças não foram positivas. Para finalizar seu comentário, Dorinha Menezes lamenta que o Hotel tenha desaparecido e que seu verdadeiro significado (alegria e amor) não tenha passado de “geração em geração”.
NOTA: Nos próximos dias, o Blog postará as entrevistas das poço-branquenses Neci Gomes e Zênia Rodrigues – sobre o mesmo tema.

















